Especial Rádio Nacional(Esportes)- Parte 1

Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2009. Século 21. Um século novo, com modernidades como esta máquina chamada computador que aqui escrevo um Especial qualquer, sem o leitor/ouvinte me conhecer pessoalmente.

No começo dos anos 30, onde os imigrantes estavam vindo para trabalhar nas lavouras de café, a sociedade brasileira em sua maioria rural, estava emigrando do campo para formar as cidades. No Rio de Janeiro, a então capital federal, em termos de tecnologia despontava as novas tendências da "belle èpoque"(bela época em francês) importada da França.

O rádio, este velho senhor com os seus 85 anos, começava a se formar. Sua primeira aparição foi feita em 07 de setembro de 1922- comemoração do centenário da Independência do Brasil . As primeiras emissoras radiofônicas surgiram como sociedades/radio-clubes. A primeira e mais famosa foi a emissora de Edgard Roquette Pinto, que surgiu em 1923: a Rádio Sociedade Roquette Pinto, cujo foco era educar a população com cultura.

A Rádio Nacional, especificamente, surgiu devido ao jornal "A Noite". A data de fundação é em 12 de setembro de 1936. Imagine você, que detesta ainda hoje, os chiados das emissoras de am, como eram terríveis os "creccrecrecrecre", "tishhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh"- dos transmissores em válvulas ou de rádios feitos artesanalmente(rádios de galena)- calando por alguns segundos a voz de um locutor naquela hora crucial em que você estava ouvindo uma notícia importante.

Na parte dos esportes, principalmente, nos anos dourados ou a chamada a "Época de Ouro", compreendida entre os anos 1930 e 1950, o esporte JAMAIS teve muito espaço na programação da Rádio Nacional.
Aos sábados, era reservado com EXCLUSIVIDADE ao Programa César de Alencar:

Essa canção nasceu pra quem quiser cantar
Canta você, cantamos nós, até cansar
E só bater (palmas), e decorar (palmas)

Pra recordar vou repetir o seu refrão:
Prepara a mão (palmas)
Bate outra vez (palmas)
Esse programa pertence a vocês!

Essa canção nasceu pra quem quiser cantar
Canta você, cantamos nós, até cansar
E só bater (palmas), e decorar (palmas)

Pra recordar vou repetir o seu refrão:
Prepara a mão (palmas)
Bate outra vez (palmas)
Esse programa pertence a vocês!

Nenhum chefe de qualquer equipe da emissora da Praça Mauá, hesitaria, com BASTANTE juízo, tirá-lo do seu horário sagrado ou quem sabe, substituí-lo à uma peleja de futebol. Convenhamos, que importância, naquele momento, teria um clássico entre Flamengo x Fluminese ou Vasco x Botafogo ou até a Seleção Brasileira diante a um dos líderes de audiência, prestígio e faturamento da emissora? Mas, aos domingos, aí sim, espremido entre as atrações do dia, Antônio Cordeiro e Jorge Curi podiam, enfim, locutar e comentar o andamento do principal "match" da rodada. Apenas um detalhe: Às vezes, as chamadas "reportagens esportivas da Rádio Nacional, patrocinadas pela Cervejaria Brahma, entravam no ar com a partida já em andamento, entre dez, 15 minutos. Vocês achavam que os ouvintes da época reclamavam? Lêdo engano! Ninguém reclamava.

Obrigada pela atenção,

Isabela Guedes.
blogdoradiocarioca@yahoo.com.br

Comentários

Anônimo disse…
hj naum temos mais botafogo, so o fluminense sub-20, e o flamengo-pi, o mais querido do estado.

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