Mais Uma Homenagem ao Armando Nogueira

Pessoas,

no penúltimo post, o de ontem, quando fiz uma homenagem ao cronista esportivo Armando Nogueira, retirei o nome do radialista Édson Mauro e o poema que eu li, pois, não foi o poema "A Bola" que eu li e sala de aula, mas sim um poema sobre os mil gols do Pelé. O que me fez me confundir "alhos com bugalhos" foram as palavras "gomos redondinhos", referentes à bola de couro, usada por Édson no Estádio Jornalista Mário Filho, no último ano da década de 1960.

Entretanto, ao ouvir um pouco mais cedo o "Bate Bola Nacional"(RN- KHZ 1130 am), o que os profissionais do meio citaram, foi que, em uma entrevista que Armando concedeu a uma emissora televisiva, a paixão pelo Botafogo, começou através "da Minha, da Sua, da Nossa, Rádio Nacional(KHZ 1130 am)", que, através de suas ondas e seus satélites, levou e leva até hoje, "dos pampas aos seringais", a FORÇA do futebol carioca.

E, para homenagear mais uma vez o Mestre Armando, estou colocando a crônica "Maracanã", cujo blog se chama Sopa no Mel . E, para ter "mais mel na sopa", porei um áudio do milésimo gol de Pelé, cujo palco foi no estádio referido. A narração é de Joseval Peixoto e Geraldo Blota, via Rádio Pan- Americana, de São Paulo, em 1969.



Um abraço,

Isabela Guedes
blogdoradiocarioca@yahoo.com.br

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Maracanã- Armando Nogueira

Revejo, com saudade,
as bandeiras das tuas batalhas
repartidas sobre o campo.
Revejo, com saudade,
a tua multidão que torce e distorce a verdade até morrer,
doa a quem doer.
Revejo, com saudade,
as esperanças que se perdiam pela linha de fundo
no entardecer de cada jogo.
Quantas vezes foste a minha pátria amada, idolatrada,
salve, salve a seleção!
Quantas vezes a minha alma escapava de mim
e, sem que o árbitro notasse, aparecia na pequena área,
providencial, para fazer o gol da vitória.
Perdi a conta dos gols
que fiz com pés que nunca foram meus.
Saudade de certa lágrima de vitória
que, um dia, vi brilhar no rosto quase meu de uma criança.
Maracanã.
és fantasia da paixão
que aproxima e divide:
louvor e blasfêmia,
alegria e desdita.
és o gol de Gigghia,
celebrado com um minuto de silêncio soberba nacional.
és o ignorado heroi de uma tarde
cujo gol restou sem data
como se nunca houvera sido feito.
és gol de placa
que ninguém sabe ao certo como nasceu
mas que o tempo
vem tratando de fazê-lo cada dia mais bonito.
Gol de fábula.
És o craque que passa, sem pressa,
tecendo a promessa de gol com a bola nos pés
e os olhos na linha do horizonte.
és Gérson e Jair da Rosa Pinto
Que tinham no pé esquerdo o rigor da fita métrica.
És Nilton Santos, futebol de fino trato,
na majestade e no saber.
És Zizinho, que conhecia, como ninguém,
todos os atalhos da tua geometria.
És Zico que driblava triscando a grama,
suave como uma pluma.
És a "folha-seca" de Didi,
fidalgo de rara nobreza
que tratava a bola como se trata uma flor.
És Ademir Menezes correndo, olímpico,
pelos indizíveis caminhos do gol.
És Carlos Castilho, santo goleiro
que obrava milagres pelos confins da pequena área.
És Pelé,
cujos gols eram tramados na véspera
(ele trazia de casa as traves e a bola do jogo.)
És Garrincha que dobrava as esquinas da área
driblando Deus-e-o-Mundo
com a bola jovial da nossa infância.
Quanta saudade
daquele drible direita
que alegrava as minhas jovens tardes de domingo.
És, enfim, a vitória e a derrota,
caprichosa imitação da minha vida.
E porque és uma parte da minha memória,
seguirei cantando, comigo, a melodia de teu doce nome.
Maracanã, Maracanã.


Comentários

Eliane Furtado disse…
Saudade da Globo daquela época. Armando foi meu diretor. Um privilégio ser dirigida por ele e por Alice Maria.

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